segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Agora.


Agora sim, o tempo cumpriu o seu papel, e tudo, enfim, faz sentido.
Agora sim, eu posso te encarar sem morrer de medo,
Eu posso te contar aquele segredo
Que antes escondi, para não te perder,
Me perder,
Só agora.
Só agora, justamente agora,
Logo agora,
Eu percebi,
Já não me faz temer, ou tremer, ou fugir,
Agora,
Exatamente agora é hora de seguir.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Seu


Abra as portas, destranque esse coração, que por muito tempo tem dito não,
Fugindo, temendo, querendo, amor.
Aceite. Aceite, pois está ao seu alcance, e não canse, meu pequeno, de tentar.
Seu coração, seu tesouro. Sua canção, seu consolo.
Cante, espante esse medo,
Viaje, se for preciso, o mundo inteiro
Mas encontre a chave pra se abrir
Fugir da razão que o impede de sorrir e conquistar
O que é seu,
Liberdade.

domingo, 7 de novembro de 2010

Seja paciente, seja sapiente.

Hoje vou mudar um pouco as coisas por aqui. Vou deixar minha queixa, meu protesto, pois me nego a ver tanto absurdo e ficar calada. Hoje eu estou é indignada com tanta falta de amor. Cria, iludida, ingênua, utópica, que tinha escolhido uma profissão que valoriza o ser humano em sua complexidade, em seu universo de diferenças, pensamentos, cultura. 
Infelizmente, entretanto, hoje me surpreendi, mas não sem espanto, com a falta de humanidade que vi. A desumanização da área de saúde é fato, concreto, facilmente perceptível. As pessoas só se preocupam com o método, com que linha seguir. Pouquíssimos ainda ouvem, ainda enxergam, ainda pensam no paciente. Paciente este, um mundo a ser descoberto, respeitado, conhecido. 
Antes de escolher entre a teoria de Fulano de Tal ou de Sicraninho de Harvard; por que não olhar nos olhos do paciente que está bem na sua frente, doido para falar?
Olhar nos olhos minha gente, e não só ouvir, mas escutar. Compreender, permitir-se tentar ser um profissional além daqueles receita de bolo, pois destes saem milhares todos os anos das universidades. Buscar ser alguém além, como sempre digo: "Alguém além do superficial". Perceber que ninguém é igual, e todos querem sentir que são importantes. Então por que não, vocês que se dizem terapeutas, de todos os tipos (e não me excluo, pois serei também um dia, fisio - mas também - terapeuta), não passam a enxergar além da própria vaidade e ganância, as pessoas que chegam a vocês como pacientes? Seja paciente, seja sapiente, com o seu paciente.
Cabe a quem tem consciência, mudar, e fazer a diferença com a sua atitude. Não custa ser gentil, amoroso, delicado. Só faz bem à saúde e à alma de quem cuida e de quem é cuidado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mesmo assim, bem querer.

Você se fecha na sua toca
E nada te toca além da sua ilusão.
Você me diz que passou a hora,
Que o momento certo não é agora,
E não explica porque não.
Reclama da vida,
Reclama de tudo,
Declama frases prontas,
Decora porões escuros
Onde só quem entra é você.
E me diz que se sente só,
Que sente só em não poder viver
Seu sonho, seu plano, seu traço,
Sua vida, seu palco, seu estrago,
Que é não olhar pra os lados
E ainda assim se perder
No furacão estranho
Que é você.
Não dá pra te entender
Não dá pra te explicar
Já guardei em mim
O sonho que nasceu pra te dar
Mas você não quis
Mas você não riu
Mas você nem viu
Nem parou pra escutar
E já não há mais som
Já não há mais dons
Já não há mais eu, nem amor,
Bem querer.
"Cê" perdeu a cena
Não a viu passar
"Cê" se arrependeu
E já não há mais como o tempo
Que não era agora
Que já passou a hora
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