quinta-feira, 22 de julho de 2010

Catch a fire.

Elos frágeis, cedo ou tarde, acabam por se romper.
Estava frio e num súbito de loucura, não pude me deter.
Incendiei.
Exatamente, incendiei.
Toquei fogo em tudo que não valia a pena.
Num sortilégio antigo, libertei-me.
Juntei todas aquelas velhas lembranças empoeiradas e emboloradas e fiz uma bela fogueira.
Tomei cuidado para não me esquecer de nada que pudesse servir para alimentar o fogo: mágoas passadas, lindas histórias frustradas, amigos fantasmas, desilusões, desamor.
Aproveitei para me livrar inclusive das falsas palavras, dos cínicos sorrisos, da postura discreta que cretinamente tentam nos impor a adotar.
Queimei tudo.
Todas as dores do mundo, todos os horrores que a minha alma trazia guardados no fundo, num fundo falso.
Queimei e depois soprei as cinzas, para que o vento com elas levasse qualquer vestígio ou sinal daquilo que já não me cabe, que me traz asco, que me faz mal.
E vi que o peso diminuiu, meu coração anda mais leve.
E a partir de agora tudo que não me fizer bem, mesmo que seja um mal breve, queimarei sem dó nem delongas.
Incendiarei.

Um comentário:

  1. Incendeia, encandeia
    Este meu insano pulsar
    Nas ondas da maré cheia
    Estarás, Rainha do mar...

    Carollll... Lindos seus versos... Alohaaa:D

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