Elos frágeis, cedo ou tarde, acabam por se romper.Estava frio e num súbito de loucura, não pude me deter.
Incendiei.
Exatamente, incendiei.
Toquei fogo em tudo que não valia a pena.
Num sortilégio antigo, libertei-me.
Juntei todas aquelas velhas lembranças empoeiradas e emboloradas e fiz uma bela fogueira.
Tomei cuidado para não me esquecer de nada que pudesse servir para alimentar o fogo: mágoas passadas, lindas histórias frustradas, amigos fantasmas, desilusões, desamor.
Aproveitei para me livrar inclusive das falsas palavras, dos cínicos sorrisos, da postura discreta que cretinamente tentam nos impor a adotar.
Queimei tudo.
Todas as dores do mundo, todos os horrores que a minha alma trazia guardados no fundo, num fundo falso.
Queimei e depois soprei as cinzas, para que o vento com elas levasse qualquer vestígio ou sinal daquilo que já não me cabe, que me traz asco, que me faz mal.
E vi que o peso diminuiu, meu coração anda mais leve.
E a partir de agora tudo que não me fizer bem, mesmo que seja um mal breve, queimarei sem dó nem delongas.
Incendiarei.
Incendeia, encandeia
ResponderExcluirEste meu insano pulsar
Nas ondas da maré cheia
Estarás, Rainha do mar...
Carollll... Lindos seus versos... Alohaaa:D